30/08/2011
http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?id=1096106
Uma impressão comum entre quem visita o Haiti é a de que a população é feliz demais para tanta tragédia. Dois cineastas brasileiros decidiram filmar isso.
Em declaração à Gazeta do Povo concedida em Porto Príncipe, em janeiro deste ano, o embaixador brasileiro Igor Kipman contou como no dia seguinte ao terremoto que devastou o centro da capital haitiana ele viu muitos grupos cantando. O otimismo, diz, é o que o leva a crer na recuperação do país mais pobre do Ocidente.
Mostrar essa aparente contradição entre a realidade e o sentimento do haitiano é a intenção de documentário em produção pela produtora Phanton, de Praia Grande (SP), sem previsão de estreia.
O diretor do trabalho, Alyson Montrezol, é outro entusiasta da ressurreição haitiana.
“Quero fazer uma abordagem diferente daquela que a mídia em geral está dando ao país, de explorar a tragédia”, disse ele à Gazeta do Povo. “Vamos mostrar o lado positivo. Em meio ao caos, existem pessoas que vivem com alegria. Muitas vezes, com mais esperança do que os brasileiros.”
O trabalho de filmagens já contou com três viagens ao Haiti e entra agora na fase de captação de recursos. Estão previstas mais uma ou duas incursões para obter depoimentos in loco.
Se os paulistas criaram o projeto ainda em 2009 e, com o terremoto de janeiro de 2010, se empenharam ainda mais para filmar a reação à desgraça, o historiador e cineasta pernambucano Cleonildo Cruz se apaixonou pela ideia de documentar o Haiti após ver uma ediçao especial da revista Veja.
“Pensei que um filme seria um instrumento para ajudar o país”, disse à reportagem.
O foco do projeto recifense é mostrar a importância do papel da missão militar brasileira que lidera as tropas de pacificação da Organização das Nações Unidas (ONU) no país caribenho. Em viagem realizada em janeiro a Porto Príncipe e arredores, ele documentou casos como o de um jovem haitiano formado em Agronomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, que se viu soterrado sob a sede da ONU naquele 12 de janeiro.
Em depoimento, ele conta que pediu a Deus para ser resgatado, mas parou no meio da oração ao se lembrar de que o país não tem tradição de terremotos. Pediu então para que fosse retirado por alguém capacitado, sem que se machucasse mais. Esperou 24 horas e ouviu vozes. “Eram soldados brasileiros. Ele então gritou em português e foi retirado”, conta Cleonildo. Hoje, o rapaz manca um pouco.
A intenção do cineasta, que tem o patrocínio da construtora baiana OAS, é terminar o trabalho já em abril para então realizar exibições no Brasil – incluindo o Paraná – e no Haiti. “Não adianta fazer tudo isso e eles não poderem se ver na tela do cinema”, explica.
O documentário da Phanton já tem um trecho no Youtube (http://www.youtube.com). Busque por “teaser Haiti”.
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